
Nosso futuro presidente merece. E muito.
Um dia, o dia 15 de dezembro de 2002 aconteceu. Ali, naquele que eu chamo de dia mais feliz da minha vida, a maior história já vista dentro das mais famosas quatro linhas de cal ocorreu. O maior milagre, o maior orgulho.
Não que eu não me orgulhe daquele Rio-SP de 1997, que vi na minha antiga casa em Santos segurando uma bandeirinha que, se não me engano, foi até do meu bisavô.
Não que eu não me orgulhe daquela Conmebol de 1998. Um time que fedia, mas que dava o sangue – literalmente (e olha que eu pra usar essa palavra tem que ser MESMO), naquele jogo em Rosario.
Mas 2002 matou um sonho que eu tinha em 12 anos de vida: ver meu time ser campeão de algo o qual eu podia gritar aos quatro cantos e todos me invejariam. E os santistas se juntariam a mim. Meu pai, principalmente. Jamais esquecerei do abraço que demos quando O gol do Elano ocorreu. O gol. O maior lance da minha vida.
Passei a ter outro sonho a partir dali. Era possível voltar às glórias dos anos 60. Se conquistávamos o Brasil, por que não o resto¿ Passei a sonhar em ser dono da América novamente. E nunca me esquecerei de cada detalhe da Libertadores de 2003, desde o radinho de pilha na estreia em Cali, até o choro (DE ORGULHO) na derrota para o Boca.
E nunca me esquecerei daquele jogo de 2007. Foi o ano mais feliz da minha vida. 17 anos, namorava, era apaixonadão, último ano de colégio. Vagabundo o tempo todo. Feliz. Mas no dia 6 de junho, virei criança novamente. Renatinho acertou de canhota. Acertou de bunda. Zé Roberto fez mais um.
E quarta que vem eu estaria em La Bombonera. Não estive. Faltou o que todos sabemos que faltou. E eu saí em silêncio. E dormi em silêncio. E acordei… Chorando. Pensei que era um sonho (é sério, eu acordei e parei: é hoje ou foi aquilo mesmo¿). Havia sido. Enchi meu travesseiro de lágrimas. E mais tarde chorei mais. Mas o sonho continuava.
2008 prefiro não lembrar muito. Se bem que coisas legais aconteceram. Trípodi, Pinto, Quiñones. Trípodi de voleio. Quiñones torto. A bunda de Gustavo Nery. A bunda mais linda do mundo. Nos salvou. Esse time é grande demais. Não cairia. Mas faltou pouco. Um bunda no caminho.
Nos distanciamos de La Copa. O time não era bom nem para um Paulista, imagina coisas maiores. Porém, em um dia de dezembro de 2009 – dezembro, dezembro, sempre especial… – saí do Enem, no qual eu trabalhei, para o outro lado da cidade. A votação já havia encerrado, mas eu sabia que podia ser um dia especial. A gente podia mais. E pôde. Cada urna aberta era um alívio no peito. Cada grito de comemoração era mais um tumor extirpado. Era a salvação.
Não que aquilo garantisse algum título. Garantia a vida, apenas. E a vida é o necessário. Esse time existindo, a felicidade existe. Mesmo que demore anos.
Não demorou. Nunca um paulista foi tão delicioso. Pela maneira que foi. Mas queríamos mais. Queríamos voltar a ela. Não que a taça da Copa do Brasil não fosse importante. Não era apenas atalho para La Copa. Mas quando o juiz apitou, lá em Salvador, eu, lá presente, já comecei a sonhar. De novo.
Não que eu tivesse parado. Mas havia mais no que pensar. Ali, não mais. Planejei em minha mente toda uma epopéia até a Argentina em junho. Sempre sonhei que seria lá.
Acompanhei sorteio como se fosse final de Copa do Mundo. Cada dia era apenas um compromisso pelo qual, se desse, eu passaria apenas dormindo, para acordar no dia da estréia.
E o primeiro passo foi patético. O segundo mais. O terceiro pior. O quarto até que foi bom, mas nos direcionou para um abismo. No dia de nosso aniversário. 14 de abril. Paraguai. La Olla.
E desde 2010 eu o xingava. Loucamente. A ponto de ter tomado tapas e cuspes em Vila Belmiro. De ter feito toda uma torcida xingá-lo. De tê-lo chamado de câncer. De vaiá-lo até quando jogava bem, de tão raro. Eu funcionava por osmose com ele. Era ele¿ Tava mal. Simples.
E era nosso aniversário. 14 de abril. Fui andando até minha faculdade. Não vi santistas. Nenhum bar parecia que iria passar. Parei na padaria, pedi para mudarem de canal. Peguei uma cerveja e sentei no balcão.
E ele pegou a bola no meio. Cortou para a esquerda. Ajeitou a perna. Sua posição original¿ Lateral direito. E ele ajeitou a esquerda.
Todos os cuspes e tapas eu senti ao mesmo tempo. Eles me levantaram da cadeira quando simplesmente falei “golaço”. O instante em que tudo mudou. O que mantinha o sonho de 9 anos vivo. O sonho de 21 anos vivo.
O resto é história. Se eu fui para o Centenario, isso é só um detalhe. Dinheiro é detalhe. Os fogos da torcida do Peñarol são detalhes. La Copa Libertadores és mi obsessión é um detalhe.
As defesas de Rafael no México. A marcação implacável de Pagode. Em todos os lugares. O futebol mágico do Meu Menino. A monstruosidade Dele. Arouca. Arouca. Arouca!
Os toques do $. A ressurreição de Durval. O Guerreiro Léo e seus cortes óbvios que sempre dão certo. Os tapas e gritos do Pará. O gol de Alan. A falha de Barreto. O erro de Dario Rodriguez.
A arrancada de Arouca. A letra do $. Os três dribles do Arouca. O passe do Arouca. O gol do Meu Menino. O toque do Elano.
Tudo detalhe.
E desde 2010 eu o xingava. Loucamente. A ponto de ter tomado tapas e cuspes em Vila Belmiro. De ter feito toda uma torcida xingá-lo. De tê-lo chamado de câncer. De vaiá-lo até quando jogava bem, de tão raro. Eu funcionava por osmose com ele. Era ele¿ Tava mal. Simples.
E ele pegou a bola na direita. Cortou para a esquerda. Ajeitou a perna. Sua posição original¿ Lateral direito. E ele ajeitou a esquerda.
E eu só explodi no grito de gol abraçando todo mundo.
O sonho acabou. Passou a ser realidade. Pelé correndo. Uma criança. Todos éramos crianças.
Dracena levantando. Todos levantamos.
Faz uma semana e dois dias. E a tal da ficha deve estar bem presa. Porque ainda não caiu. Não sei como agir. Finalmente, depois de 21 anos de vida, de 48 anos de história, quando perguntam, para mim como é ver no DVD, eu posso falar que vi ao vivo. Eu estava lá.
Eu sou tri da América.
Meu bisavô olhou por nós lá do céu. Meu pai olhou por nós lá em Santos. Eu olhei pó nós no Pacaembu.
Já chorei muito por esse time. Quando Pezzotta apitou, não chorei. Ajoelhei.
Não sei o que ocorrerá em dezembro. Não sei quem iremos enfrentar.
Mas, lembre-se: em dezembro, milagres ocorrem.
Descobri mais um sonho. O sonho do mundo.
Acabo de redescobrir o sentido. Já tenho pelo que lutar. Mesmo que seja apenas com gritos. Com minha torcida. Minha paixão.
Prometi morrer apenas depois de ver meu Santos campeão mundial. Eu, vivo. Sei lá se será esse ano.
Mas, em dezembro, milagres acontecem.
Todas as minhas loucuras. Minhas superstições. Não posso contá-las. Vai que, depois do dia 18, eu possa…
O mundo sorri demais nesses últimos dias. Pode sorrir por mais alguns meses¿ Até o dia 18 de dezembro¿ Seria bom. Seria a felicidade.
É o Santos, meus caros. E o Santos, sempre, SEMPRE, pode mais.
Vai que… Sei lá, não quero pensar.
Só sonhar.
Fé.